Jaime

Jaime (1974)

O mundo, a vida e o trabalho de Jaime Fernandes, camponês nascido em Barco (Beira Baixo), atingido por doença fatal (esquizofrenia paranóica), aos 38 anos. Internado no Hospital Miguel Bombarda (Lisboa), ali morreu em 1967, com 69 anos. Aos 65 anos, começara a pintar e, durante esse curto período de tempo, realizou uma obra pictórica genial. Influência do meio social e hospitalar.

Data de estreia
1974-05-02
TMDB
7.5 / 10 (11)
Duração
35 min
Géneros
Documentário
Realizador
António Reis

Elenco

Curiosidades

Jaime é uma curta-metragem documental antropológica portuguesa de 1974, realizada por António Reis e Margarida Cordeiro. O filme retrata a vida de Jaime Fernandes, doente esquizofrénico internado no hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, em Lisboa.

Produção

Quando começou a trabalhar no Hospital Miguel Bombarda enquanto psiquiatra, Margarida Cordeiro viu numa das paredes um desenho de que caracterizou de “arte psicótica” feito por um paciente que ali passara os últimos trinta anos da sua vida e morrera um mês antes. Cordeiro reuniu mais de cem desenhos de Jaime Fernandes. Grande parte da sua criação plástica havia sido perdida.

António Reis estava ligado a um movimento de renovação do cinema português, desde as suas colaborações em Acto da Primavera (1962), de Manoel de Oliveira e Mudar de Vida (1966), de Paulo Rocha. Jaime seria a primeira obra de referência de António Reis enquanto realizador. O cineasta Fernando Lopes providenciou película para a rodagem de Jaime, a partir do material de rodagem de A Promessa, de António Macedo.

Margarida Martins Cordeiro sempre se reconheceu como par de António Reis em todo o processo de realização (da concepção, à rodagem e à montagem final), ainda que neste filme tenha assinado apenas como assistente de realização.

O árduo trabalho de rodagem decorreu em 1973. Houve aspetos condicionantes à realização do filme, desde logo por não se poder abordar diretamente Jaime nem médicos ou enfermeiros que dessem um testemunho válido. Tentando manter o respeito por Jaime enquanto pessoa, doente e artista, os autores utilizaram o material que ele deixou, os lugares onde ele viveu, o depoimento da esposa e o Rio Zêzere.

Sobre este processo, Reis comentou que "não conheci o Jaime e no decurso de todas as investigações que fiz ele escapou-me sempre. A única coisa (pouco) que agarrei foi pelo que ele deixou pintado e escrito. De resto, ele próprio escapou-me."

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