Limite (1931)
O barquinho vai...
Limite inicia com a imagem de uma mulher abraçada por um homem algemado, uma imagem prototípica a ser variada e diversificada ao longo do filme. Esta proto-imagem introduz o leitmotiv do aprisionamento e abre caminho para uma longa e quase hipnótica cena de barco, que serve para nos transportar ao continuum do tempo, um estado amorfo fluido, onde o cérebro-câmera se move para o passado, traçando certas linhas de memória, episódios e detalhes associados, objetos, movimentos e imagens, flashes visuais de limitação que se refletem em outras imagens e, assim, saem de um estado fixo, limitado e que desaparecem posteriormente sem motivo aparente. Um naufrágio na tempestade nos leva de volta à proto-imagem original, o tema inicial, agora estendido e enriquecido pelas variações visuais e rítmicas que experimentamos.
- Data de estreia
- 1931-05-17
- TMDB
- 7.1 / 10 (123)
- Duração
- 2 h 0 min
- Géneros
- Drama, Aventura
- Realizador
- Mário Peixoto
Elenco
- Olga Breno — First woman
- Tatiana Rey — Second woman
- Raul Schnoor — First man
- Brutus Pedreira — Second man
- Carmen Santos — Woman eating a fruit
- Mário Peixoto — Man sitting at the cemetery
- Edgar Brasil — Man asleep in the theatre
- Iolanda Bernardes — Woman at the sewing-machine
Curiosidades
Limite é um filme mudo brasileiro de 1931, dirigido e roteirizado por Mário Peixoto, com produção da Cinédia. A obra utiliza de metáforas para abordar de maneira poética o interior de seus personagens. Marcam o filme a impotência, solidão, desespero, resignação, passagem do tempo e a condição humana. Acabou que gradativamente adquiriu o status de obra-prima do cinema brasileiro, principalmente devido ao teor inovador adotado por Peixoto na produção, além do valor histórico de ser um dos precursores do cinema do Brasil. Ficou conhecido como o filme "mais comentado do que visto", pois nunca foi exibido comercialmente.
Produção
Em agosto de 1929, Mário Peixoto estava em Paris, durante as férias de verão dos seus estudos na Inglaterra, quando viu uma fotografia de André Kertész de duas mãos masculinas algemadas em volta do pescoço de uma mulher que olha para a câmara. Esta tornou-se a imagem "geradora" ou "proteica" de Limite.
Peixoto queria interpretar o protagonista masculino, apresentando seu projeto aos diretores Humberto Mauro e Adhemar Gonzaga, o último sendo o dono da Cinédia, que disseram que seu roteiro era pessoal demais para ser dirigido por qualquer outra pessoa. Gonzaga acabou por indicar Edgar Brasil para realizar e fotografar o longa e Ruy Costa como assistente. Peixoto então, financiou a produção com recursos familiares.
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